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Auxílio emergencial ajuda a controlar a inadimplência.

Expectativa para 2021 não é tão positiva, já que bancos e redes de lojas, que postergaram as cobranças de dívidas em atraso, devem voltar a negativar os clientes

 

Meses sem faturar, disputa na Justiça para a redução do aluguel, aumento de preços dos fornecedores, desemprego em alta e cliente com medo de ir às compras. Uma combinação perfeita de fatores para classificar 2020 como um dos piores anos para o varejo na história do país, de acordo com lojistas. Mas, por mais incrível que possa parecer, em meio ao emaranhado de condições desfavoráveis ao empreendedor e ao consumo, há um indicador positivo. Para surpresa de muitos economistas, a inadimplência do consumidor está menor do que há um ano, de acordo com dados do Banco Central e de empresas de informações de crédito. Considerando todas as modalidades de crédito para a pessoa física, a taxa de inadimplência foi de 3,1% em setembro para os atrasos acima de 90 dias. Em setembro de 2019 era de 3,9%. Para os atrasos entre 15 e 90 dias, a taxa de setembro deste ano é de 2,6%. A do mesmo mês do ano passado, de 3,5%, de acordo com o BC. Quando o país vive uma crise econômica, geralmente, o pico da inadimplência se dá em um prazo de seis a sete meses, no máximo. Desta vez, diferentemente do que aconteceu em crises econômicas enfrentadas pelo Brasil, a inadimplência não subiu com a rapidez esperada. Alguns motivos explicam a boa notícia, ao menos por enquanto, para o comércio. Bancos e grandes redes postergaram o pagamento de prestações por conta da pandemia do novo coronavírus. Além disso, os brasileiros reduziram a busca por crédito. O auxílio emergencial oferecido pelo governo às famílias mais carentes também tem segurado a inadimplência com índices até menores do que as do ano passado.

A Boa Vista SCPC, empresa de informações de crédito, informa que as taxas de inadimplência dos últimos 12 meses estão de 10% a 20% menores do que as do período imediatamente anterior. São taxas com atrasos de pagamento acima de 60 dias com bancos, redes de lojas e fornecedores de serviços, como gás, água, energia elétrica e telefone.

“Quem negativa os clientes são os bancos e as empresas, e eles mudaram a política de negativação, jogando 90 a 120 dias para a frente”, diz Flávio Calife, economista da Boa Vista SCPC.

Uma inadimplência mais controlada estimula as grandes redes a dar mais prazos de pagamento para os clientes, especialmente num período em que o consumo está represado. A Renner, por exemplo, está oferecendo 60 dias para o pagamento da primeira parcela nas compras feitas com o cartão da rede, uma forma de estimular as vendas neste final de ano. Prazos mais longos de pagamento são uma boa opção para elevar o consumo e a receita quando o cliente paga em dia, de acordo com Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores. Os meses de outubro, novembro e dezembro, diz ele, não devem revelar grandes mudanças nas taxas de inadimplência. Agora, a partir de janeiro, o cenário pode ser outro. Além de o consumidor ter os tradicionais compromissos de um início de ano, como o pagamento do IPTU e da matrícula escolar, o auxílio emergencial pode deixar de existir. O auxílio emergencial tem injetado bilhões de reais por mês na economia, um dinheiro que cai nas mãos de desempregados e que acaba tendo impacto em toda a economia. De abril a agosto, o auxilio emergencial foi da ordem de R$ 24 bilhões por mês. De setembro a dezembro, este número deve ficar perto de R$ 12 bilhões por mês. A redução de recursos na economia deverá diminuir o ritmo de consumo e provocar alguma elevação da inadimplência, na avaliação de Silveira.

Alguns setores já apresentam inadimplência elevada, como o das escolas privadas. Em setembro, o índice foi de 17,72%, de acordo com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo. Em junho, o percentual tinha sido ainda maior, de 23,74%.

“O futuro está muito incerto. O governo pode ou não continuar distribuindo renda. E, se tiver a ajuda financeira, qual será o valor?”, diz Silveira.

Diante de tantas incertezas, o melhor que os lojistas podem fazer é ter cautela na hora de vender a prazo.

“Como a redução da inadimplência parece temporária, é preciso ter avaliação rigorosa na concessão de crédito. As taxas devem voltar a subir nos próximos meses”, diz Calife.

 

FONTE: Por Fátima Fernandes Jornalista especializada em economia e negócios e editora do site Varejo em Dia / Diário do Comércio (Jornal das Associação Comerciais do Estado de São Paulo)

IMAGEM: Freepik




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